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Editorial: Quando a prioridade não é o povo
Tuesday, 17 March, 2026
Asessão extraordinária da Câmara de Sorocaba dessa quinta-feira deixa umapergunta incômoda no ar: afinal, para quem trabalha o Legislativo? Enquantoa população enfrenta filas na saúde, reclama da demora por exames, cirurgias eatendimento digno, os vereadores decidiram dar prioridade à criação de 25 novoscargos comissionados. Vintevotos a favor. Cinco contra. Mais de um milhão de reais por ano a mais na folhade pagamento. E a CPIda Saúde? Ficou para o fim da pauta. Áudiosvazados envolvendo o presidente da Casa e o presidente da própria CPI revelamque a estratégia política parecia clara: primeiro resolver o que interessainternamente. Depois, se houver tempo, discutir o que interessa à sociedade. Tambémfoi rejeitada a comissão processante que poderia analisar a cassação doprefeito afastado Rodrigo Manga. Um tema sensível. Um tema que exigeresponsabilidade. Um tema que diz respeito diretamente à confiança da populaçãonas instituições. Mas nãofoi prioridade. Élegítimo perguntar: qual a urgência na criação de mais um assessor porgabinete? Há justificativa técnica? Há estudo de impacto que convença ocontribuinte de que este é o melhor uso do dinheiro público neste momento? Ouestamos diante de mais um episódio em que a política olha primeiro para simesma? Overeador é eleito para fiscalizar, propor soluções e defender o interessecoletivo. Seu papel não é ampliar estruturas administrativas quando serviços essenciaisenfrentam questionamentos e dificuldades. Quandoa Câmara sinaliza que cargos vêm antes da investigação sobre a saúde pública, orecado é claro — e preocupante. Em umcenário de crise de confiança, a prioridade deveria ser transparência. Deveriaser apuração rigorosa. Deveria ser compromisso com quem depende do SUSmunicipal. OParlamento existe para representar o povo. E representar significa ouvir oclamor das ruas, sentir a dor de quem espera atendimento, compreender aindignação de quem paga impostos e exige retorno. Omomento exige grandeza institucional. Exige coerência. Exige senso deprioridade. Porque,no fim das contas, o que está em jogo não são apenas 25 cargos. É acredibilidade da Câmara. É a confiança do cidadão. É o respeito ao mandato. O papeldo vereador, em tempos adversos, é simples e inegociável: colocar o interessepúblico acima de qualquer conveniência política. Se issonão for prioridade, algo está profundamente errado. CruzeiroFM, com você o tempo todo!!!








